Economia / Tecnologia
Nova regra do Pix amplia rastreamento de golpes e entra em vigor em fevereiro
Mecanismo do Banco Central permite seguir o caminho do dinheiro e reforça devolução a vítimas de fraudes
20/01/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A partir de 2 de fevereiro, entra em vigor uma nova regra que amplia a segurança do Pix em todo o país. Todas as instituições financeiras passarão a ser obrigadas a oferecer uma versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução (MED), solução criada pelo Banco Central do Brasil para permitir a devolução de recursos a vítimas de fraudes, golpes ou situações de coerção.
A principal mudança está no alcance do rastreamento do dinheiro. Até agora, a devolução só era possível se os valores ainda estivessem na conta originalmente utilizada no golpe. Com a nova regra, o sistema passa a acompanhar o trajeto dos recursos mesmo quando eles são rapidamente transferidos para outras contas — prática comum em crimes financeiros.
Segundo especialistas, o aprimoramento permite que o Pix siga o rastro do dinheiro por várias transações sucessivas, ampliando as chances de bloqueio e devolução dos valores.
O sistema identifica todas as contas envolvidas na movimentação do dinheiro;
O rastreamento pode alcançar até cinco camadas de transferências (cinco contas diferentes);
As instituições financeiras envolvidas são notificadas automaticamente;
O bloqueio e eventual devolução podem ocorrer em até 11 dias após a contestação.
A tecnologia utilizada é baseada em um grafo de rastreamento, modelo computacional que mapeia automaticamente o caminho do dinheiro entre contas bancárias, substituindo o antigo processo manual, que se encerrava na primeira transferência.
A funcionalidade já estava disponível de forma facultativa desde 23 de novembro de 2025, mas passa a ser obrigatória a partir de fevereiro.
Desde outubro do ano passado, os bancos já são obrigados a disponibilizar nos aplicativos uma opção para contestar transações Pix diretamente, sem necessidade de atendimento humano. Esse registro rápido é fundamental para que o MED seja acionado.
Apesar do avanço tecnológico, o Banco Central alerta que a devolução não é automática. É necessário que ainda haja saldo disponível nas contas por onde o dinheiro passou. Por isso, agilidade na denúncia continua sendo o fator decisivo para o sucesso da recuperação.
Especialistas reforçam que a prevenção ainda é a principal arma contra fraudes. Entre as orientações estão:
Desconfiar de pedidos urgentes de transferência, mesmo quando parecem vir de amigos ou familiares;
Confirmar solicitações por ligação ou vídeo, antes de enviar dinheiro;
Nunca fornecer senhas, códigos ou dados pessoais por telefone, SMS ou aplicativos de mensagem;
Ajustar limites de transferência, especialmente no período noturno;
Ativar autenticação em dois fatores em aplicativos bancários e de mensagens;
Fazer dupla checagem do valor e do destinatário antes de confirmar um Pix;
Manter-se informado e alertar amigos e familiares sobre golpes em circulação.
As mudanças no Pix representam um avanço importante no combate a crimes financeiros digitais e fortalecem a atuação das instituições na recuperação de valores. No entanto, o cuidado do usuário no dia a dia segue sendo fundamental para evitar prejuízos.
Com o novo MED, o Pix se torna mais seguro — mas a prevenção ainda é a melhor defesa.
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