Política / Justiça
Alcolumbre cancela sabatina e dá fôlego ao governo para articular apoio a Jorge Messias no Senado
Presidente do Senado acusa “omissão grave” do Executivo e aponta risco jurídico; base de Lula vê manobra e ganha tempo para reorganizar articulação
03/12/2025
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O cancelamento da sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi interpretado por governistas como um raro momento de alívio na complexa negociação para aprovar o indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2026. A suspensão, porém, também reacende tensões políticas que precisarão ser sanadas pelo Palácio do Planalto nas próximas semanas.
Em nota divulgada na terça-feira (3/12), Alcolumbre afirmou que o governo cometeu uma “omissão grave e sem precedentes” ao não enviar formalmente ao Congresso a mensagem presidencial com a indicação de Messias — procedimento necessário para dar início às etapas regimentais. Para o senador, a ausência do documento criava insegurança jurídica, já que qualquer ato subsequente, incluindo a própria sabatina, poderia ser questionado judicialmente.
O presidente do Senado reforçou que, sem a mensagem oficial, a Casa ficaria exposta a vícios processuais. A decisão, embora vista pela base como uma forma de “folga” para reorganizar a articulação, também exigirá um esforço adicional do governo para restabelecer o diálogo com Alcolumbre, peça central na composição do apoio à aprovação de Messias em 2026.
Tensões de bastidor
Nos bastidores, a avaliação entre governistas é de que o cronograma acelerado definido por Alcolumbre — com sabatina marcada para 10 de dezembro e possível votação em plenário no mesmo dia — representava uma manobra para reduzir o tempo de articulação de Messias junto aos senadores. A leitura dominante é de que Alcolumbre preferia que o presidente Lula indicasse Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Lula, no entanto, tornou pública a escolha de Messias no dia 20 de novembro, contrariando expectativas de parte da cúpula do Senado. A reação imediata de Alcolumbre, segundo aliados do governo, foi interpretar a demora no envio da mensagem como um gesto intencional do Planalto — tese que o parlamentar reproduziu em sua nota oficial.
Cenário para 2026
Com a sabatina suspensa, a articulação governista ganha tempo para reorganizar estratégias, recompor pontes e trabalhar a construção da maioria necessária para aprovar o nome do AGU ao Supremo. Ao mesmo tempo, o episódio expõe a complexidade do relacionamento entre Alcolumbre e o Executivo, que precisará ser recomposto antes da reabertura formal do processo.
A expectativa é que, após o envio oficial da mensagem ao Congresso, a CCJ retome o cronograma, ainda sem nova data definida. O governo, enquanto isso, tenta transformar a “folga” momentânea em oportunidade para consolidar apoios e evitar novas arestas com o comando do Senado.
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