Política / Câmara Federal
Ruptura entre Hugo Motta e Lindbergh Farias agrava tensão entre governo Lula e a Câmara
Presidente da Câmara afirma não ter mais relação com o líder do PT; petista chama reação de “imatura” e aponta imprevisibilidade nas decisões da Casa
24/11/2025
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A relação entre o governo federal e a Câmara dos Deputados sofreu um novo abalo após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarar que rompeu com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). Segundo Motta, a convivência política entre ambos está encerrada: “Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”.
A declaração aprofunda o desgaste entre o Palácio do Planalto e o Legislativo, num momento em que o governo já enfrenta atritos paralelos no Senado.
Nos últimos meses, aliados de Motta vinham criticando o comportamento do líder petista, acusando-o de se exaltar em debates, tensionar reuniões internas e tentar desgastar a imagem da Câmara. A cúpula do Legislativo também avalia que Lindbergh tem atuado como se fosse o líder do governo, e não apenas da bancada do PT.
Lindbergh reagiu à fala do presidente da Câmara, classificando a ruptura como “imatura” e afirmando que suas posições políticas são transparentes e previsíveis.
“Política não é um clube de amigos. Minhas posições sempre foram claras. Imprevisível é o que tem acontecido na Câmara: a votação do IOF, a escolha de Derrite como relator e a PEC da Blindagem”, declarou o deputado.
A situação piorou durante a tramitação do projeto de lei antifacção, enviado pelo Executivo como resposta às crises de segurança pública. Motta escolheu como relator o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas, potencial adversário de Lula em 2026.
O governo considerou a escolha politicamente sensível e criticou as mudanças feitas pelo relator. A base governista orientou voto contrário à proposta, mas foi derrotada. O texto agora segue para o Senado.
Internamente, líderes do centrão afirmam que o clima com o governo é “muito ruim”, citando acordos descumpridos, baixa execução orçamentária e divergências em pautas estratégicas. Aliados de Motta negam ruptura com Gleisi Hoffmann, mas reconhecem que a relação com a ministra foi abalada.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), tem sido apontado como o principal articulador para tentar reduzir a tensão.
A eleição de Hugo Motta contou com apoio decisivo do PT e do Palácio do Planalto. Lindbergh e Gleisi foram defensores da aliança que levou o deputado do Republicanos à presidência da Câmara. Desde então, porém, a relação se deteriorou, marcada por embates como:
Derrubada do decreto do IOF, contrariando o governo;
Rejeição de medida provisória que aumentava impostos;
Condução da lei antifacção, vista como hostil pelo Planalto.
A crise atinge simultaneamente o Senado. A indicação de Jorge Messias ao STF contrariou setores da Casa, que defendiam o nome de Rodrigo Pacheco. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reagiu negativamente e pautou uma pauta-bomba horas após o anúncio, sinalizando resistência ao Planalto.
Dirigentes do centrão afirmam que o ambiente político tende a piorar nos próximos dias. O governo Lula, que tem minoria na Câmara, vê seu espaço de articulação encolher, enquanto acumula ruídos simultâneos com as duas Casas do Congresso.
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