Artigo
A guerra de conquista
As negociações de Trump para finalizar a guerra da Rússia com a Ucrânia
17/08/2025
07:45
Ives Gandra da Silva Martins
Ives Gandra da Silva Martins
O Presidente norte-americano, Donald Trump, se reuniu, recentemente,.com Vladimir Putin, da Rússia, para negociar o fim da guerra na Ucrânia, mas eles saíram da reunião sem um acordo de cessar fogo.
Um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Ucrania, Volodymyr Zelensky, acontecerá, na Casa Branca, na próxima segunda-feira (18), em Washington, para a a qual, líderes europeus também foram convidados, e irá tratar dos próximos passos na tentativa de colocar um fim na guerra da Ucrânia.
Não acredito que o presidente Donald Trump agiu corretamente em relação à guerra de conquista de territórios ucranianos pela Rússia, pois a ausência do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na reunião com Putin, que tratou das negociações sobre a paz na guerra entre a Rússia, conquistadora, e a Ucrânia, que defende seus territórios, é um problema.
Ora, se o Canadá quisesse, por exemplo, invadir os Estados Unidos para ficar com uma parte do território, o presidente Trump não gostaria que uma parte do seu país fosse ocupada por um outro.
É evidente que a Europa tem razão, no sentido de que trata-se de uma guerra de conquista proibida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em que o ditador Vladimir Putin busca ficar com o território da Ucrânia.
O próprio presidente Lula, que prestigia o ditador Putin e é seu amigo, deveria aconselhá-lo a devolver o território que estão tentando conquistar, não mantenham tropas matando ucranianos porque o que querem é aumentar o território, já o maior do mundo. Se a Venezuela quisesse invadir uma parte da Amazônia, qual seria a reação do presidente Lula se não mandar o Exército defender o nosso território?
Putin é um ditador que está matando ucranianos em uma guerra de conquista. Ele é semelhante a Josef Stalin e está, a essa altura, querendo celebrar a paz por intermédio do presidente Trump, que concordou em conversar com ele, sem a presença do presidente Zelenski. Claro que não iria dar certo.
Acreditei, quando vi a assinatura daquele acordo, com o qual jamais seria permitido aos países que pertencem à ONU realizar guerras de conquista. Neste sentido, a ONU, quando a Rússia começou a invadir a Ucrânia, fez um protesto veemente contra o ditador Putin. Porém, agora, tentaram negociar a paz sem a presença do presidente da Ucrânia, mesmo sendo este o país invadido.
Expresso meu inconformismo, porque penso que foi um mau exemplo: todos os presidentes que quiserem e tiverem força militar maior do que a dos países vizinhos poderão tomar a mesma posição: guerra de conquista.
Já estamos vendo a Venezuela se preparar para invadir a Guiana, dizendo que 3/4 do território guianense deve pertencer a ela. Se Trump concordasse com essa negociação com Putin, sem a presença de Zelensky, qual seria a autoridade moral para dizer à Venezuela que não deve invadir a Guiana?
Isso gera um panorama no qual a lei do mais forte que deverá predominar, ou seja, prevalece não a força do direito, mas o direito da força.
Seria revoltante, portanto, se, nas conversas de paz, não tivesse a presença do presidente de Zelensky, sendo que é o destino da Ucrânia que será decidido.
Tenho receio que o presidente Trump venha a concordar com o ditador Putin no sentido de a Ucrânia ceder parte do seu território, mais ou menos como Chamberlain (Primeiro-ministro do Reino Unido de maio de 1937 a maio de 1940) fez com Hitler, quando cedeu a Checoslováquia na certeza de que com isso impediria uma guerra mundial, mas não adiantou. Se a Rússia ficar com parte do território da Ucrânia, todos os países limítrofes correrão risco.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) vai ter que, cada vez mais, aumentar seus orçamentos militares para a proteção da Europa e a corrida armamentista, que é uma corrida contra a paz, vai crescer no mundo inteiro.
Que o bom senso prevaleça e, que, após a reunião com o presidente Zelensky, seja encontrado o melhor caminho para a paz!
Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomer cio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).
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