Política
Bolsonaristas tentam impulsionar atos com sanções de Trump a Moraes, mas temem esvaziamento
Com slogan “Reaja, Brasil”, manifestações ocorrem neste domingo em diversas cidades, sem presença de Bolsonaro ou Michelle na Paulista
03/08/2025
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentam aproveitar a repercussão das sanções impostas pelo governo Trump ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para impulsionar as manifestações deste domingo (3), convocadas sob o slogan "Reaja, Brasil".
A expectativa dos organizadores é transformar as sanções em novo combustível para a militância, após meses de perda de mobilização nas ruas. Apesar disso, há temor de esvaziamento dos atos por diversos fatores — entre eles, a ausência do próprio Bolsonaro, que usa tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa nos fins de semana por decisão do STF.
Diferente da estratégia adotada desde o retorno de Bolsonaro ao país, os atos foram organizados simultaneamente em várias cidades, com o objetivo de permitir protagonismo a parlamentares em seus redutos eleitorais.
Porém, sem o ex-presidente nos palanques — impedido inclusive de gravar vídeos — e sem lideranças de peso na Avenida Paulista, como Michelle Bolsonaro (em agenda no Pará) e Tarcísio de Freitas, que alegou compromissos médicos, cresce o receio de baixa adesão.
Nos bastidores, bolsonaristas reconhecem um cansaço da base, que tem demonstrado menor disposição para atos de rua. Mesmo assim, nomes como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), confirmaram presença no carro de som da Paulista, organizado pelo pastor Silas Malafaia.
A sanção financeira a Moraes pelos EUA, com base na Lei Magnitsky, é considerada por bolsonaristas como uma das maiores vitórias simbólicas do grupo em 2025. O deputado Eduardo Bolsonaro, que articulou a medida junto ao governo Trump, disse sentir “missão cumprida” após o anúncio.
Eduardo está licenciado do cargo de deputado federal desde março, diante do risco de ter o passaporte apreendido pelo STF. Ele permanece nos EUA e afirmou que só retornará ao Brasil se Alexandre de Moraes for afastado.
Mesmo proibido de se comunicar com o pai, Eduardo convocou os apoiadores a participarem dos protestos como forma de aumentar a pressão política:
“Não estamos numa corrida de 100 metros. Estamos numa maratona”, afirmou Nikolas em vídeo de convocação.
Os atos terão também como pauta central a “anistia ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos no 8 de janeiro e o impeachment de Moraes, embora ambas sejam consideradas inviáveis no Congresso.
Além disso, as críticas devem se voltar contra os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apontados como obstáculos à tramitação das pautas do bolsonarismo.
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada inicialmente por Donald Trump, havia causado incômodo na base bolsonarista. No entanto, a exclusão de mais de 700 produtos da lista e a sanção contra Moraes mudaram o clima.
Agora, os aliados de Bolsonaro tentam culpar o presidente Lula pelas tarifas, repetindo gritos de “Fora, Lula” nos atos.
Para o bolsonarismo, a escalada internacional com o governo Trump é vista como a principal frente de reação política possível enquanto Bolsonaro enfrenta julgamento no STF por tentativa de golpe, previsto para o mês que vem.
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