Willian Arthur Brautigam trabalha em uma unidade de saúde, em Guarapuava, e decidiu mudar-se para a garagem de casa por prevenção e amor pelos pais, esposa e filho.
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Segundo Willian, ele decidiu mudar-se para a garagem para proteger a família, em Guarapuava �?? Foto: Divonei Ravanello/RPC |
Há quase dois meses o enfermeiro Willian Arthur Brautigam, que trabalha na linha de frente do combate à Covid-19, em Guarapuava, na região central do Paraná, tem dormido dentro de um carro, em uma garagem, para proteger a família.
Segundo o enfermeiro, ele não apresenta sintomas do novo coronavírus. Mesmo assim, decidiu adotar essa medida como prevenção porque trabalha em uma unidade de saúde.
"A nossa maior preocupação não é ficar doente, mas de levar a doença para a nossa família, para as pessoas que a gente ama", revelou.
Além de adaptar o carro do pai dele, uma rural de 1965, Brautigam adotou uma série de cuidados ao chegar em casa.
Ele tira toda a roupa quando chega do trabalho e coloca em um balde com água e sabão. Desde o início da pandemia, segundo o enfermeiro, ele não entra mais em casa e conversa com o filho, de três anos, pela porta ou janela.
"A gente pergunta para ele o que o papai tá fazendo e ele fala: 'o papai está lá fora matando os bichinhos, mamãe. Enquanto ele não matar os bichinhos, ele não pode voltar�??", contou a esposa, Luana Carvalho, sobre a situação com o filho.
O veículo que virou a �??moradia�?� de Willian fica na garagem da casa dos pais, que é no mesmo terreno da dele. A família conta que sente falta do contato mais próximo com o filho, mas entendem o quanto esse gesto de amor é importante.
"Já faz dois meses que a gente está sem esse abraço, sem esse beijo", desabafou a mãe do enfermeiro.
A Prefeitura de Guarapuava disponibiliza um hotel apenas para profissionais da saúde com sintomas da Covid-19, para que fiquem isolados.
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Willian não entra mais em casa e conversa com o filho, de três anos, pela porta ou janela �?? Foto: Divonei Ravanello/RPC |
Profissionais da saúde e a Covid-19
O Paraná conta com 105 mil profissionais da saúde na área de enfermagem, mas nem todos estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), nas unidades do estado e nos hospitais universitários do Paraná, 116 funcionários têm a suspeita de estarem infectados pelo novo coronavírus. Eles aguardam o resultado do exame da Covid-19 em isolamento domiciliar.
Outros 38 profissionais testaram positivo para a doença, segundo a secretaria. Entre essas confirmações, quatro pacientes se recuperaram e voltaram ao trabalho, um morreu e os demais continuam isolados.
�??Eu espero que isso passe o mais rápido possível, mas da forma que a doença está se manifestando, isso pode demorar um pouco. Essa é a nossa preocupação, eu acho que uma angústia do profissional da saúde nesse momento, é ver a população não respeitando as orientações que a gente passa. Isso deixa a gente bem desmotivado. Mas a gente tem que insistir, continuar, não pode baixar a cabeça�?�, contou o enfermeiro.
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Assim como o Willian, mais de 105 mil profissionais trabalham na área de enfermagem no Paraná, segundo a Sesa �?? Foto: Divonei Ravanello/RPC |