Política / Eleições
Zema critica Flávio Bolsonaro por cogitar Eduardo no Itamaraty e mira relação com Banco Master
Pré-candidato do Novo chamou declaração de “extremamente infeliz” e defendeu critérios técnicos para cargos em eventual governo
25/05/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta segunda-feira, 25 de maio. Durante participação em encontro de presidenciáveis promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Zema classificou como “extremamente infeliz” a declaração do senador de que poderia indicar o irmão, Eduardo Bolsonaro, para o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo.
Sem citar nomes em parte de sua fala, o ex-governador também fez críticas a pré-candidatos que teriam se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de questionar a indicação de parentes para cargos públicos.
“Achei extremamente infeliz a declaração do pré-candidato falando que o irmão dele, o Eduardo, seria um ministro de Relações Exteriores. Mais uma vez: eu gosto é de gente que tem carreira, que tem competência. Se parente resolvesse esse problema, muita coisa nesse mundo já estaria resolvida”, afirmou Romeu Zema.
A declaração marca mais um capítulo no embate político entre Romeu Zema e Flávio Bolsonaro, ambos posicionados no campo da direita e citados no debate sobre a sucessão presidencial.
Zema já havia feito uma crítica pública direta ao senador no dia 4 de maio de 2026, quando afirmou, durante agenda política, que, diferentemente de Flávio, precisou “ralar” e não tinha o “rabo preso”.
O tom da disputa aumentou no dia 13 de maio, após o vazamento de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde então, o ex-governador mineiro tem usado o episódio para reforçar críticas à relação entre política, interesses privados e escolhas para cargos estratégicos.
No evento da Amcham Brasil, Zema também defendeu que o Brasil esteja mais integrado ao contexto ocidental e tenha uma relação mais próxima com os Estados Unidos. Segundo ele, o país norte-americano é um parceiro comercial historicamente relevante para o Brasil, mas essa relação teria sido prejudicada nos últimos anos.
Ao tratar do tema, o ex-governador voltou a mencionar Eduardo Bolsonaro, relacionando a atuação do deputado cassado ao chamado tarifaço anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump no ano anterior.
“Acho que até a ação do irmão do pré-candidato, a mesma coisa, que provavelmente contribuiu para aquela retaliação, o tarifaço que ocorreu ano passado”, disse Zema.
A primeira crítica pública de Zema a Eduardo Bolsonaro nesse contexto ocorreu em 21 de julho de 2025, durante entrevista ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A possibilidade de Eduardo Bolsonaro ocupar o comando do Itamaraty em um eventual governo de Flávio Bolsonaro passou a ser usada por adversários como argumento contra o senador. Para Zema, a escolha de ministros deve priorizar experiência, formação técnica e trajetória compatível com a função.
O Ministério das Relações Exteriores é uma das pastas mais sensíveis do governo federal, responsável pela condução da política externa brasileira, pelas relações diplomáticas e pela representação do país em negociações internacionais.
Ao criticar a indicação de familiares para cargos públicos, Zema buscou reforçar uma imagem de defesa da gestão técnica e de oposição ao uso de critérios políticos ou pessoais na formação de equipes de governo.
As declarações ocorrem em um momento de reorganização do campo político conservador para a eleição presidencial. Romeu Zema tenta se apresentar como uma alternativa de direita com discurso voltado à gestão, eficiência administrativa e responsabilidade fiscal.
Já Flávio Bolsonaro aparece como nome ligado ao núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo apoio entre setores bolsonaristas e aliados do PL.
Com as novas críticas, Zema amplia a pressão sobre o senador e tenta marcar diferença em relação ao grupo bolsonarista, especialmente em temas como composição ministerial, relações internacionais e eventuais vínculos com empresários investigados ou envolvidos em controvérsias públicas.
A pré-campanha ainda está em fase de articulação, mas os ataques indicam que a disputa por espaço dentro da direita deve se intensificar nos próximos meses.
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