POLÍTICA
Moro rebate críticas de Ney Leprevost após derrota em Curitiba: "O problema é o sobrenome Leprevost"
Senador Sergio Moro responde às declarações de Ney Leprevost sobre seu papel na campanha à Prefeitura de Curitiba e acusa o deputado de tentar transferir a culpa pela derrota.
16/10/2024
20:25
NAOM
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Sergio Moro (União Brasil) respondeu nesta quarta-feira (16) às críticas de Ney Leprevost (União Brasil), candidato derrotado à prefeitura de Curitiba (PR). Em entrevista ao Estadão, Moro classificou Leprevost como "mentiroso" e afirmou que o deputado estadual tenta transferir para ele a responsabilidade pelo desempenho nas urnas. Leprevost, que ficou em quarto lugar na disputa, havia atribuído sua derrota à participação do senador e de sua esposa, Rosângela Moro, como vice na chapa.
As declarações de Moro foram uma resposta à entrevista de Leprevost ao Folha de S. Paulo, onde o deputado estadual afirmou que a imposição de Rosângela como vice em sua chapa foi um erro que comprometeu sua campanha. “Peço desculpas ao povo de Curitiba por ter aceitado a imposição nacional do partido de ter a sua esposa como vice”, disse Leprevost. Em sua nota, ele também chamou Moro de "traidor contumaz".
Em sua resposta, Moro destacou que a ideia de incluir Rosângela Moro na chapa como vice teria partido do próprio Leprevost, que teria insistido nessa formação, algo que o deputado nega. “Ele acabou optando por correr sozinho. Tanto que eu não apareci no programa eleitoral dele e tampouco apareceu qualquer um dos representantes da União Brasil, nacional ou estadual”, afirmou Moro.
O senador também criticou a estratégia de campanha de Leprevost, alegando que ele se apresentou como um político "do sistema", distante dos anseios da população. "[Leprevost se] apresentou como um político velho do sistema, de terno engravatado até nos debates, e não conseguiu se conectar com a população de Curitiba", declarou Moro, enfatizando que o deputado escolheu adotar um discurso que não agradou ao eleitorado.
Moro afirmou ainda que sua popularidade em Curitiba continua alta, mencionando sua vitória ao Senado com 40% dos votos e o fato de ser apontado como favorito para o governo do Paraná nas pesquisas. “Então, não se tem problema de popularidade eleitoral, o problema foi o candidato”, afirmou. Em resposta, Leprevost disse: "Se o senhor fosse amado pelo povo de Curitiba como afirma, não precisaria andar rodeado de seguranças pagos pelo povo brasileiro até para ir à feira".
A relação entre Leprevost e Moro se deteriorou na reta final da campanha, com divergências sobre a participação do senador nas propagandas de TV. Segundo Leprevost, Moro queria maior destaque em um espaço de 1 minuto e 12 segundos que a campanha dispunha. O deputado afirmou que essa pressão gerou atritos, levando Moro a se afastar da campanha nos últimos dias antes do primeiro turno.
“Ele queria ficar saindo na propaganda de televisão. Mas eu só tinha 1 minuto e 12 segundos de televisão. Não podia ficar colocando ele o tempo todo. E ele ficou bravo e largou a campanha no final”, afirmou Leprevost.
A relação entre ambos, que antes fazia parte de uma aliança estratégica, parece ter sido rompida. Leprevost afirmou que não pretende caminhar politicamente com Moro no futuro e que, caso Moro se candidate ao governo do Paraná em 2026, ele considera deixar o União Brasil. “Eu não quero caminhar politicamente com Moro. E acho que ele também não quer caminhar comigo. Eu não estarei com ele para o governo em 2026. Se ele for o candidato do União Brasil, eu terei que sair do partido”, disse o deputado estadual.
Em resposta, Moro ressaltou que a derrota de Leprevost em Curitiba se estendeu também a outros candidatos apoiados pelo deputado, incluindo Alexandre Leprevost, irmão de Ney, que ficou como suplente nas eleições. “Para mostrar que o problema não é conosco (casal Moro). O problema é o sobrenome Leprevost”, concluiu Moro.
Leprevost obteve 60.675 votos, representando 6,49% dos votos válidos, e terminou em quarto lugar na corrida pela prefeitura. O segundo turno será disputado por Eduardo Pimentel (PSD), que obteve 33,51% dos votos válidos, e Cristina Graeml (PMB), que alcançou 31,17%. A votação está marcada para o próximo dia 27 de outubro.
Até o momento, Sergio Moro e Rosângela Moro não anunciaram oficialmente seu posicionamento sobre o segundo turno em Curitiba. Enquanto isso, o União Brasil na capital, sob a liderança de Leprevost, optou por adotar uma postura de neutralidade, liberando seus filiados para apoiarem o candidato de sua preferência.
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